sábado, 29 de outubro de 2011

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            “John! Que bom que você veio! Hey, não, devolve minha sapatilha!” os gritos dela ecoavam pelo pátio, e as risadas dele eram quase como melodia, para a pequena garota, que ainda estava vestida com seus trajes de bailarina, e as sapatilhas, que agora estavam nas mãos do garoto loiro, estavam antes penduradas na mala.
“Calma pequena, preciso de pagamento para devolvê-las” ele disse sorrindo marotamente, ela riu, abraçando-o, e dando um selinho no garoto que a puxou para perto de si e aprofundou o beijo.
 “Agora você devolve elas para mim?” A garota perguntou sorrindo, e estendendo a mão, o garoto devolveu as sapatilhas e a puxou para si, dando-lhe mais um selinho.
“Claro que sim minha pequena bailarina!” ela riu, adorava os apelidos que ele lhe dava, mesmo que sempre corasse quando ele inventava um novo. E ele adorava a cor que tingia a face da garota.
O garoto segurou a mão dela, e assim, de mãos dadas, eles caminhavam a esmo, ele tinha seu skate preso a mochila, e ela a sapatilha. Eram tão diferentes! E parecidos ao mesmo tempo...
            Ela era a bailarina, leve, pequena, delicada. Ele era um skatista, grosso, musculoso, alto, forte. Ela o completava. Ele a completava. Os dois se amavam. Um amor puro, de jovens, mas um amor que iria evoluindo ao passar dos anos.
            Aquele amor causava inveja, fofocas, intrigas, mas os dois antes de começarem a namorar, foram melhores amigos, nada conseguiria abalar aquilo, não seria a diferença entre o esporte que cada um praticava que faria aquilo.
            A cena dos dois caminhando juntos, um com skate na mão, ou com um violão, e a outra com a sapatilha, ficaria famosa, e marcada para sempre no coração dos jovens. Amanda era o nome da menina, ela se tornaria a mais famosa bailarina. E ele, se tornaria um astro do rock.
            Eles não teriam um final feliz, eles teriam uma vida juntos, uma vida com brigas, intrigas, mas sempre fortaleceria o amor. O amor que eles cultivaram durante toda a vida. E por mais que as pessoas tentassem destruir a felicidade dos dois, o amor sempre venceria.
            E olhando aquela singela cena, eu suspirei pela milésima vez, o futuro deles era brilhante, belo, incrível, e desejei que por um momento todos os casais fossem como eles, menos orgulhosos, e deixassem sempre que o amor vencesse.

Por B. 

            

segunda-feira, 10 de outubro de 2011



O garoto desce do skate e entrega uma carta para a garota, que sorri, torcendo para que aquilo não fosse uma carta de despedida como pensava que era, ela abriu lentamente, e começou a ler as linhas traçadas pela letra firme do garoto.


"Meu amor,
E eu ainda me lembro bem, quando eu pensei que te vi pela última vez, me lembro daquele sorriso bobo que brincava em seus lábios, e me faziam querer sorrir também. 
Eu ainda me lembro bem de sua voz manhosa, suas birras e brigas pelo meu jeito de ser, mesmo que no fundo fosse exatamente por aquele meu jeito que você gostasse de mim.
E eu me lembro bem de como eu reclamava, implicava, e enchia seu saco, querendo atenção e aquela sua risada, que você sempre achou ridícula, mas para mim era a mais linda do mundo.
Te ver partir daquele modo foi a pior coisa que eu poderia ter vivido, foi a pior coisa que eu fiz, foi minha maior idiotice. Foi uma das primeiras vezes que eu desejei não ter errado tanto.
Eu te vi escapando das minhas mãos, eu te vi se afastando e então eu te vi partir, eu te vi ir embora, e fiquei só olhando, em vez de te segurar, abraçar-te como eu sei que você gostaria, e pedir para que ficasse. 
Mas eu sou um idiota, e não fiz isso, só te vi partir e fiquei observando ir embora. 
Sentindo meu coração se despedaçar e a única garota que eu amei indo embora, mas algo dentro de mim nasceu naquele momento, e então peguei meu skate e corri atrás de você.
Claro que nunca te alcançaria, sendo que você estava com um carro e eu de skate, mas eu tentaria pelo menos chegar a tempo no aeroporto.
E eu consegui, você estava lá, esperando o avião que te levaria para longe de mim, olhando para os que partiam, e suspirando, dando um sorriso assustado, e ao mesmo tempo triste. 
-É feio ir embora sem dizer adeus - eu falei dando meu melhor sorriso de canto, e vi que você me ignorou propositalmente - Eu sei também é feio abandonar a melhor amiga.
-É feio abandonar os sentimentos também, mas você sempre faz isso - você respondeu, eu poderia ter ido dormir sem aquilo, mas você me conhece, eu gosto de receber "cortes", principalmente os seus, que sempre vinham com respostas inteligentes que eu não sabia como retrucar. 
Mas para aquele "corte" eu sabia, e foi por isso que eu te puxei para perto de mim, abraçando-lhe e aproximando seu rosto de mim, olhando para ela e dando um daqueles sorrisos que você adora.
-Só que dessa vez eu não tô abandonado meus sentimentos, talvez seja tarde demais para correr atrás deles agora, mas estou tentando - eu falei fazendo você corar e ficar sem respostas pela primeira vez na vida.
-Pensei que você tinha uma vida para cuidar, e não iria perder o tempo com garotas como eu - você respondeu, tentando inutilmente teimar comigo.
-Eu tenho, mas ela é muito teimosa, e acredita demais nas minhas idiotices - eu respondi, e vi você revirar os olhos, e dar um sorrisinho, e foi aí que eu te puxei para um beijo.
E foi assim que você perdoou esse idiota, e foi assim que começamos a namorar. E meu amor, não estou aqui para terminar com você, e sim para pedir que esse nosso amor seja selado ainda mais.
Olhe para frente"

A garota viu que a carta terminara, e ela ainda estava com as lágrimas provocadas pela lembrança daquele dia, e ainda porque, ele se lembrava de tudo! Ela olhou para a frente, assim como o garoto mandara na carta, e o viu ajoelhado com uma caixa aberta, mostrando uma bela aliança.
-Casa comigo meu amor? - ele perguntou dando um sorriso que ela amava. Ela deu um sorriso, sentindo as lágrimas de alegria caírem de seus olhos. 
-É claro que eu caso, meu idiota - ela respondeu sorrindo, e o abraçou, beijando-lhe os lábios, enquanto ele, colocava a aliança nela. 
E mostravam a todos que passavam que seu amor fora mais forte do que tudo aquilo que quase os impediu de ficar juntos, mostraram que valeu a pena lutar por aquele amor, e que agora eles estavam prontos para serem marido e mulher.

Por B.