sexta-feira, 25 de maio de 2012

A melodia do silêncio.

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Uma fazenda está abandonada em algum lugar no meio desse nada pequeno mundo em que vivemos, o lugar está vazio, velho, apodrecendo, os animais dali já foram roubados, ou fugiram, assim como os donos foram embora dali, pelo mesmo motivo ou por outros alheios a vontade natural deles. Os antigos donos levado no silêncio da noite, jazem adormecidos sob a terra, onde duas cruzes feita as pressas por alguém que já não queria ficar mais tempo ali mostram onde descansam. 
Tudo parece estar silencioso, não há vento, não há som de animal algum, seja pássaros ou inseto, tudo parece vazio e meio morto, como se o lugar estivesse de luto. Luto pelo que? Pediriam os curiosos, e eu lhes responderia apenas que ele sente falta. Falta do que? Tornariam a repetir, eu apenas sorriria, não responderia é claro, mandaria os olhar novamente a paisagem. 
De repente um vento suave começa a soprar movimentando um sino antigo que está pendurado em uma das portas, o sino começa a soar levemente, é quando começa a se ouvir o primeiro passarinhos voltar a cantar, avivando todas as aves por perto que refazem toda uma melodia, quebrando o silêncio, e enchendo o lugar de lembrança e nostalgia de quem sabia que os antigos donos nunca deixavam aquele lugar em completo silêncio. É quando os pássaros param de cantar, que o sino para de bater, o vento não sopra mais e tudo volta a estar em silêncio. 
É quando uma pessoa chega, sabe-se lá vinda de onde, para e contempla o aparente silêncio, e fecha os olhos, como se pudesse no silêncio ouvir a melodia que acabara de ser reproduzida pelos pássaros. Alguns minutos depois alguém chega do seu lado. 
-Que terreno mais assustador e perturbador - o outro lhe fala com receio - É silencioso demais. 
-Não há silencio aqui, isso eu lhe garanto - e com um sorriso no rosto a pessoa continua a falar - Vou ficar com o terreno. 
-Mas porque? Isso aqui parece um cemitério!
-É só preciso alguém trazer novamente vida a esse lugar, é preciso quebrar o silêncio, trazendo a melodia da vida novamente, e você verá como escolhi bem - e deixando o outro ainda sem entender, vira as costas para o terreno e volta a andar para fechar negócio com o filho dos antigos donos. 
-Não sei o que esse louco viu neste lugar - resmunga o segundo que parte sem ver que o vento voltava a soprar, e sem ouvir a melodia do silêncio, a melodia que o outro abrira a alma e fora capaz de ouvir. 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

É preciso mudar...


Uma jovem que está com fones de ouvido, e um violão que está pendurado em suas costas, ela parece tranquila, e um sorriso bobo e até um pouco intrigante brinca em seus lábios. Seus passos são firmes, e um pouco apressados, mas ela parece totalmente despreocupada se está atrasada. 

Seus passos não ecoam nas ruas movimentadas, mas muitos param, ou passam e olham a garota, que anda pelas avenidas da cidade como se estivesse sozinha, ou em um belo e agradável parque, que aliás, é para onde parece estar se dirigindo. Talvez um parque não defina exatamente para onde ela está indo, ela está indo em direção a uma praça pequena e simpática, que parece ser a única que não foi depredada naquela cidade, talvez porque apesar de se encontrar em uma avenida esteja escondida no meio de prédios comerciais. 

Ela chega a praça, que está bela, as folhas amarelas estão caindo no chão, é Outono e a brisa fria sopra bagunçando os cabelos dela, e as folhas das árvores e as do chão, mas mesmo assim a visão da praça e confortadora. 
A garota para olhando para o coreto simpático e até um pouco grande e avista os amigos que até um tempo atrás imaginou que tinha os perdido para falsas amigas, e abre um pequeno sorriso. Sobe quase correndo com o violão até eles e os cumprimenta, e então sente uma mão firme segurar a sua e a puxar delicadamente para perto do jovem que chama sua atenção. O sorriso da jovem abre mais, o jovem que está a sua frente é aquele que cativou seu coração, e aquele que ela nunca pensou que teria perto de si, talvez porque não pudesse ter acreditado em si. 
-Está atrasada - ele sussurra para ela, que dá uma risada. Ela está sempre atrasada para compromissos, sua mente é distraída, mas sabe que não importa, ele só comenta isso para vê-la sorrir. 
-Você também não pode falar muito - é a vez do garoto sorrir com a resposta da jovem, mas antes que os dois se beijem, os outros jovens ali presentes mandam eles sentarem, apesar de tudo, eles tem um trabalho importante para fazer ali. 
A garota tira o violão da capa e começa tocar como o combinado, as vozes dos jovens começam a cantar cantigas de esperança, e algumas de amor, mas cantigas que mostram que eles se importam com o seu mundo, e aos poucos uma platéia se reúne para vê-los cantar.
É uma cena incrível, eles procuram trazer não só a esperança nas músicas que cantam, mas também o que cada um aprendeu com o pouco que viveram, o que almejam viver, e talvez até que querem ajudar a humanidade, querem mudar a situação deprimente que nos encontramos em alguns aspectos. 
A música, foi proposta pela professora de artes deles, mas o real significado por trás daquele encontro era muito maior. A música que eles cantavam trazia a esperança e a força de lutar contra toda essa impunidade, contra toda essa aceitação pelos males que nos cercam, pela injustiça, corrupção, violência e destruição que há muito tentamos mudar, tentamos extinguir, mas esquecemos que essa mudança começa por nós mesmos. 
A música daqueles jovens tenta de algum modo lembrar a quem escuta, que não é esperar que o governo mude, que a burguesia mude, porque eles podem até mudar, mas se o mundo, se nós, que fazemos parte desse mundo, não mudarmos, continuarmos agindo como egoístas que só procuram as coisas boas, as coisas facilitadas, as coisas que não se precisa pensar ou ter esforço para se conseguir, o mundo não irá para frente, ele não mudará. 
E eu, que observo aqui de longe, a música destes jovens que são talvez um pouco mais jovens, entendo o que eles querem dizer por trás dessa prece a humanidade por mudanças dentro de seus próprios espíritos, dentro de sua alma, pois se não mudarmos o mundo irá se destruído pela própria espécie humana, que se diz tão inteligente, mas nunca vi inteligência que investe o dinheiro que poderia alimentar milhões de pessoas, em armas que tem capacidade de todo o planeta em menos de um segundo, nunca vi inteligencia que acha bonito não pensar, acha lindo as coisas que a mídia mostra, mas não procura saber o que é real ou não  no que é mostrado, nunca vi inteligência que destrói o que os mantem vivos e se matam por coisas que podem ser substituídas. Eu nunca vi inteligência tão burra. 
É preciso mudar, não esperar a mudança, é preciso cada um mudar, é preciso eu  mudar, você mudar, todos mudarmos, é preciso buscarmos a paz, e não lutarmos por algo que não quer luta, é preciso acabar com guerras e intrigas, é preciso acabar com a destruição. Eu sei, parece impossível, não é mesmo? Para os jovens do coreto, era impossível conseguir plateia apenas para uma coisa de artes que eles precisavam fazer, mas conseguiram, porque quiseram isso e fizeram acontecer. É só nós querermos que aconteça, é só mudarmos e exigirmos mudança dos outros que vai acontecer, e então o nosso mundo poderá viver em paz, e sem o perigo de se auto destruir. 






Por B.