segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Encontros....

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"Por quanto tempo você acha que pode continuar fugindo e fingindo que tudo está bem?" Essa pergunta com certeza cercava a mente de Alice por onde quer que ela fosse. Agora que seus pés a levavam para algum lugar que ela não conhecia, perguntas e mais perguntas rodeavam sua mente. 
Ela nunca foi uma garota que fugia das coisas, mas sabe, ás vezes algumas perguntas fogem do nosso controle, e quando a única certeza que temos é o nosso nome e idade, você pode ter certeza que você começou a pensar um pouquinho mais do que os outros, só que claro, isso também é um problema, por que como vamos entender um mundo tão hipócrita quanto esse, que gosta de apelar a hipocrisia dizendo que ela é uma ótima maneira de evitar conflitos? 
Ser sincero sempre não dá? Talvez não, mas ficar sendo hipócrita sempre com essa desculpa é falta de vergonha na cara. E Alice estava pensando nisso e dando um nó na sua cabeça quando achou um rapaz de terno encostado em um poste, ele fumava, e estava com os pensamentos tão longe quanto o dela. 
A garota parou apenas por achar curioso ele estar de terno, ás seis e meia da tarde, e por supor que ele era jovem, gostaria muito de saber porque diabos ele estava fumando e ferrando com os pulmões, mas Alice sabia que todos nós temos demônios, e todos lidam de formas diferentes com eles. 
-Você deve estar pensando, por que ele está fumando, será que não vê que vai acabar com os pulmões? Deve se perguntar também o porquê eu estou de terno, e deve achar que sou um rapaz de uns 16 anos - o rapaz olhou para ela, que não tinha se apercebido, mas estava parada o olhando.
-Um pouco das duas primeiras, agora da terceira eu não sei, não julgo idade por aparência - ela deu de ombros, e por um momento achou que conhecia o rapaz de algum lugar. 
-Eu também me fiz perguntas sobre você, parece que te conheço de algum lugar, mas isso não importa. Você tá fugindo do que? - a pergunta foi direta, e Alice deu de ombros, ele era um bom observador. 
-De perguntas, apesar de querer a resposta delas. 
-Você tem medo do que pode ser a resposta de algumas delas, certo?
 -Na verdade, tenho medo de todas as respostas. 
-Já pensou que se temer as respostas, talvez evite as perguntas certas? - ele deu um sorriso enigmático - Ignore o medo, e aprenda com as respostas, não as julgue como boas ou ruins, apenas as compreenda e decida se concorda com elas ou não. 
-Mas e se eu não concordar com elas? 
-Nenhum grande cientista concordou com as explicações religiosas, o que eles fizeram?
-Foram procurar suas próprias respostas? 
-É. Tem medo disso?
-De achar as minhas próprias respostas? Não. 
-Então pare de fazer só perguntas e comece a tirar conclusões - ele apagou o cigarro e ajeitou o terno. 
-E você pare de fumar - ela falou dando dois passos e parando para ouvir a resposta dele. 
-Quando você achar as suas respostas, eu paro - ele sorriu e atravessou a rua. Alice continuou o seu caminho, pensando no que o estranho lhe falara, e tentando descobrir de onde o conhecia. Foi quando lembrou que tinha o noivado de sua madrinha, ela saiu correndo para casa, terminou de se arrumar, e adivinhem quem ela encontrou sentando em uma mesa brincando com as flores da decoração?
-Olha, olha, quem diria, o estranho é ninguém mais e ninguém menos que o Vini - Alice falou sorrindo e sentando do lado dele, o garoto sorriu. 
-A última vez que eu te vi você ainda era mais alta, apesar de eu ser mais velho.
-A última vez que nos vimos você estava comendo terra no parquinho, não fumava e eu não tinha milhares de perguntas na cabeça. 
-Já achou a resposta delas? - ele a fitou prendendo seu olhar ao dela. 
-Estou a caminho - os dois sorriram, e nem perceberam o que estava prestes a acontecer. Talvez porque não importava o que fosse acontecer no futuro, importava o presente, as perguntas que eles ainda não tinham respondido, e naquele momento em especial, colocar a conversa em dia e quem sabe antes de ir pra casa um beijo roubado? 




segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Você tem medo de avião?

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Eu respiro fundo e fecho os olhos, o avião está decolando e não acho muito legal a ideia dos meus pés estarem saindo do chão, e que eu estou dentro de uma coisa que pode cair. Na verdade a ideia de estar em um lugar a mais de dois metros do chão é algo totalmente perturbadora. 
-Está tudo bem? - uma aeromoça me pergunta, eu abro os olhos e dou um sorriso falto, tenho certeza que mais pareceu uma careta, mas a aeromoça engoliu ele. 
-Tá sim - respondo ainda com meu sorriso estranho, ela sorri como um robô e saí dali para atender ao pedido de uma velinha que está sentada algumas poltronas a frente na outra fila.
O avião é grande, é um daqueles voos internacionais, eu ainda não acredito que estou aqui, primeiro porque é um avião, e segundo pelos motivos que me levaram a estar aqui. Eu finalmente estou indo para Londres para passar algum tempo na Europa. Um pouco para me afastar de tudo que andava me sufocando, e outro tanto porque eu tenho uma oportunidade única lá. A oportunidade de finalmente escrever outro livro de sucesso.
-Você tem medo? - o rapaz que está do meu lado pergunta, interrompendo totalmente meus pensamentos e dando um sorriso bonito, ele está falando em português, mas tem um leve sotaque que eu diria ser italiano. 
-Do quê?  - levanto uma sobrancelha e ele sorri. 
-De avião - eu suspiro e faço uma careta. 
-Não é do avião que eu tenho medo, é da altura. 
-Da altura ou de cair dela?
-Um pouco dos dois - eu confesso  e ele sorri - Eu sei que estou super segura aqui e tudo o mais, mas  é.... é ... 
-Eu tenho medo também - ele confessa interrompendo o que seria um monologo cabuloso.
-Mas não parece! - não consigo não mostrar a minha surpresa, ele sorri  e dá de ombros . 
-Eu consigo controlar meu medo, simplesmente paro de pensar nele, sabe? 
-Eu costumo fazer isso, mas não dentro de aviões, dentro de elevadores, morro de medo deles - ele ri. 
-Normal, você já ficou presa em algum? 
-Quando eu era criança e ele quase caiu, por isso eu tenho medo de lugares altos ou fechados, sabe? - ele assente e começamos a conversar, conversamos sobre o tempo e como céu noturno está estrelado, ele conta que é brasileiro, mas viveu tempo demais na Itália e agora está indo morar em Londres. Ele não acredita quando conto que sou autora do livro que está no seu colo. 
-Claro que não pode ser, quer dizer pelo que parece você tá fugindo do Brasil, e duvido que essa autora faria isso!  - eu tiro minha carteira de identidade e mostro para ele. 
-Eu não estou fugindo, só estou querendo novos ares - sorrio, e ele dá uma risada um tanto quanto bonita. 
-Novos ares... Eu também disse isso quando  decidi voltar para a Europa, mas na verdade foi porque minha família estava me sufocando.Acho que não sou tudo aquilo que eles pensam, então comprei esse livro - ele aponta para a edição final do meu livro, que está linda, mas eu não presto atenção nela, fico vidrada em nos olhos sedutores dele - E  "fugi". 
-Você só não precisa de pessoas cobrando sua perfeição 24 horas por dia, não considere isso como uma fuga, e sim como... - eu perco minha linha de raciocínio ao ver que ele presta atenção em cada palavra minha e parece admirar meu rosto. 
-Como?
-Como... uma nova experiência, um jeito deles se tocarem do que estão fazendo e de você aproveitar um pouco mais, quer dizer você está indo para Londres! Tem alguma coisa mais legal que isso?
-Tem - ele sorri, mas não diz o que é - Mas concordo com seu argumento, apesar dele não mudar os fatos. 
-Dane-se, é um argumento bom  - ele ri e voltamos a conversar. O avião pousa suavemente e descemos juntos, acho que os dois estamos sem rumo e sem lugar para morar... Tenho certeza disso quando ele pede se conheço algum hotel por aqui.
-Minha    madrinha disse que esse aqui é bom - falo o nome do hotel que eu vou ficar - E ele sempre tem vagas. 
-Vai ficar lá também?
-Até comprar alguma coisa por aqui ou percorrer a Europa inteira, sim - eu dou de ombros e ele me ajuda a pegar as malas. Dividimos o táxi, e apesar de estarmos em silêncio sei que nossos olhos estão admirando a mesma coisa. O belo cenário que é Londres e um ao outro.
Eu desço do táxi e teno pegar minha mala, mas tropeço e teria caído se ele não tivesse me segurado, eu fico rindo disso até entrarmos no hotel e aguardarmos liberarem quartos. E quando dizem que já podemos subir, a moça da recepção diz que nosso quarto é um na frente do outro, uma coincidência enorme. 
Não sei o que esperar de um garoto com sotaque italiano,  então não espero nada, como sempre faço só observo, viro a narradora de meus movimentos e dos seus esquecendo de pensar em algo. E é quando chegamos na frente de nossos quartos, trocamos telefones e e-mail  na recepção, então quando ele vira para  me falar algo penso que é para pedir que eu autografe seu livro.  Mas não é isso que ele faz. 
-Já que estamos aqui pelo mesmo motivo , poderíamos conhecer Londres juntos o que acha? - ele sorri, e eu dou um sorriso enorme e verdadeiro com a proposta sentindo meu coração dar um salto. 
-Claro - ele sorri com a resposta e se aproxima lentamente de mim, paro de prestar atenção em tudo a minha volta e apenas olho para ele . 
-Não me bata por isso - ele sussurra  puxando-me gentilmente para um beijo ao qual eu correspondi.
Era o beijo do meu futuro marido, mesmo eu não sabendo daquilo ainda, e o beijo que me faria começar a escrever  a melhor história de amor de todos os tempo, ou talvez só meu segundo livro que seria um grande sucesso. 


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O que você quer de aniversário?

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Com meu aniversário perto, é comum que eu escute :
-O que você quer de aniversário? - alguém pergunta e então eu lembro que não tem nada de material que eu queira, talvez tenha, mas são coisas que eu sei que são passageiras, que um dia se vão, o que eu quero eles não podem me dar. 
O que eu quero? Eu quero um pouquinho de compreensão no mundo, quero respeito entre as raças, quero que os jovens voltem a se interessar pelo mundo a sua volta, que a música volte a falar de amores, sonhos e causas impossíveis que podem virar realidade, quero que as pessoas parem de achar natural existir corrupção e se unam para dar um basta na situação. 
Quero um povo menos burro, quero  mais escolas, mais cultura, menos futebol, menos estádios e mais escolas, mais incentivo a cinema e teatro. Quero um governo mais preocupado no povo do que no dinheiro dele, quero um governo honesto, quero ao menos menos corrupção, não só do governo, mas da nação também. 
Quero de volta aquele velho ar de sonho que invadia o peito de todos, acreditando que era junto que se fazia o certo, que sozinho não se chega a lugar nenhum, quero mais união e menos egoísmo. Quero mais gente se importando com o próximo, e menos egocentrismo da parte das pessoas, quero que as escolas voltem a ensinar que é unido que se faz mais e não que o seu colega é o adversário. 
Quero esperança, esperança de que a fome acabe, de que as guerras idiotas sejam encerradas com tratados de paz, quero certeza de que ao acordar todas as pessoas do mundo possam ao menos sentir que tudo pode melhorar, quero que os países parem de se matar antes de conversar. 
Quero harmonia com a natureza, quero sustentabilidade, quero que se importem com o planeta, não só na área verde, mas na área de caráter e moral de cada um, quero respeito com o diferente, mas quero que o diferente também respeite a liberdade do outro. 
Quero paz, quero que em cada coração não tenha mais desejos de vingança, que entendam que ás vezes o que foi dito na hora de defender seu ponto de vista não foi para ofender, mas defender assim como você queria, o que o outro acreditava. 
Quero amor, quero que as pessoas aprendam a amar de novo, que aprendam que o amor não é só deles, que quando se cativa alguém você vira eternamente responsável por ele, quero que esse amo preencha cada coração, quero que esse amo conte que o segredo de um mundo melhor é você estar em harmonia, é você sorrir e abrir o coração sem medo. É ter honestidade, e ensinar que esse é o caminho da verdade é sempre o melhor. 
Quero tantas coisas impossíveis que seriam possíveis se cada um trabalhasse nisso, pena que o mundo não pode ouvir e nem atender o meu pedido de aniversário, ou será que pode? 
-Não sei - é o que respondo, guardando meus desejos para mim e dando um sorriso que quem faz a pergunta não consegue entender.