terça-feira, 18 de março de 2014

Coisas que aprendi na rodoviária

Algumas coisas que nos últimos dias andei observando na rodoviária:
Station1-Ônibus que não saí da cidade, nunca, em hipótese alguma irá chegar sem no mínimo meia hora de atraso.
2-Se você não sabe que ônibus pegar, segue a massa porque o motorista e o pessoal da rodoviária sabem menos do que você.
3-É muito fácil pegar no sono em qualquer canto esperando o "busão".
4-A quantia de gente fumando é impressionando.
5-O cheiro de cigarro das pessoas no ônibus é algo quase insuportável.
6-Ouvir a conversa alheia sem querer pode fazer você presenciar momentos inusitados e hilários (e não, você não vai poder rir alto, então vai sair contando para todo mundo e tendo aquelas famosas histórias da vida).
7-É muito importante ter um livro para ficar lendo, ou um jogo interessante no celular, porque senão você vai acabar dormindo.
8-O atendente do barzinho da rodoviária vai começar a gravar as coisas que você escolhe e nem vai mais precisar somar o que você pega, de tão previsível que somos e não percebemos.
9-Você vai entender a importância de salgadinhos e refrigerantes.
(1) - Dαrk Pαrαdise. | via Facebook10-Sempre que sentir cheiro de cigarro vai se lembrar da rodoviária.
11-Sempre que um ônibus chegar você vai sair correndo ver se não é o seu (e é mais ou menos aí que você vai ver que tem motorista mais perdido que você).
13-Você vai aprender a ter paciência (MUITA paciência!).
14-Vai ter tempo para pensar em coisas inúteis e ocupar a mente com hipóteses inúteis (mais ou menos como: E se os motoristas fossem uma classe de monstros disfarçadas de humanos que formam uma sociedade secreta que querem dominar o mundo?).
16-Vai ter tempo de pensar em listas inúteis.
17-Vai entender o prazer que é ver seu ônibus finalmente chegar.
18-E com certeza vai entender que a melhor coisa do mundo é sentar na poltrona e cair em um sono gostoso e leve, que te descansa mais do que uma noite inteira mal dormida.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Fantasmas em Mansões


Untitled
As pessoas não deviam ter medo do fantasma do casarão, ele é bem mais confiável do que a maioria da cidade. Se bem que não tenho certeza se realmente converso com o John, ou as drogas ilícitas que uso fazem com que o veja e tenha papos filosóficos com o meu próprio subconsciente. 


Estou saindo de casa, meu pai está vidrado no telejornal e minha mãe na cozinha lendo um livro enquanto espera a janta ficar pronta. Dou um tchau silencioso para ela que me lança um olhar triste sabendo que já não manda mais em mim. 
Não que alguma vez tenham. Apesar de que meu pai ainda acredita que me controla, pobre coitado, não que eu esteja com dó, mas sabe como é, pessoas iludidas causam pena. E é isso que ele realmente é: um cara iludido digno de compaixão, mas não da minha.
Sinto o ar frio da noite, sempre que decido ir para a mansão abandonada da esquina o ar está do mesmo jeito, o céu estrelado e a noite agradável, mas ao mesmo tempo melancólica. Perfeita para que minha vontade seja subjugada por vícios. 
Untitled Não demoro para chegar a velha mansão, entro descaradamente, há anos que ninguém mais vive por lá mesmo. Respiro fundo, sentando-me no canto em que posso ver as estrelas e começo a usar o que consegui comprar. Só o suficiente para me fazer flutuar. O suficiente para vê-lo.
Ao término das doze badaladas John aparece, olha-me com uma careta e senta do meu lado. Solta um suspiro pesado, eu o sigo e mordo o lábio.
-Seu coração tem tantos demônios que um dia você vai acabar morrendo - John comenta por fim, ele sempre usa frases parecidas para iniciar uma conversa. 
-Assim como seus demônios fizeram com você? - peço, como sempre fazendo com que aquele ciclo vicioso continuasse, o de eu me drogar para vê-lo, para conversar a noite inteira até o raiar do dia e então quando ele se fosse, ir também e voltar quando precisasse desesperadamente de companhia, incrivelmente quase sempre em noites de lua cheia. 
Porém tem algo de diferente hoje. Posso sentir. 
-Sim - ele responde e pela primeira vez é direto o ponto. Eu viro para vê-lo, parece mais nítido do que nunca. Ignoro o fato e continuo a conversa. Falamos sobre vida, mas principalmente sobre morte. E então vejo que o sol já vai nascer. 
-O sol está nascendo - sussurro - Daqui a pouco você some... - sinto algo pegar na minha mão. É a primeira vez que consigo tocar em John, meu coração bate forte. Ao menos o que acho ser um coração.
-Não dessa vez - ele sussurra - Seus demônios finalmente conseguiram. 
-Mas me levaram até você, isso é assim tão ruim? - peço sem entender direito o que ele está falando, sem entender o real significado. 
-Depende do ponto de vista. Para mim estar morto nunca foi ruim - e então ele me beija. E posso sentir o beijo. Eu sempre achei um clichê estar apaixonada por algo que não existia, mas agora eu sei que John é real. E que agora eu sou como ele. 
E quando o significado me atinge, estou tão feliz para lamentar a minha morte que vejo tudo mais como o fim de um círculo vicioso e triste que me conduziu até os braços da morte e - ironicamente - do único que realmente amo. 

segunda-feira, 3 de março de 2014

Carnaval Literário


O que acha de deixar seu Carnaval recheado com os melhores livros. Basta preencher corretamente o Formulário do Raflecoopter e você já esta participando.
Os livros são:
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As regras são:
Residir em território nacional ou ter endereço de entrega no Brasil, e Preencher corretamente o formulário do Raflecoopter. 
LEMBRANDO que não nos responsabilizamos por extravios dos correios.

Então Boa Sorte a todos:

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O link do blog O Baú dos Melhores

domingo, 2 de março de 2014

Resenha do livro: Espíritos de Gelo






O livro Espíritos de Gelo do autor Raphael Draccon começa com um rapaz acordando em um lugar estranho, com três caras - um deles com uma camiseta do Black Sabbath (e sim isso é importante pra mim) - querendo saber o que aconteceu com ele, e para que o rapaz recupere a memória vão o torturar, pois segundo os carinhas só um trauma pode fazer com ele supere o trauma que o fez perder a memória. Isso tudo para conseguir a explicação de como ele acabou em uma banheira sem um dos rins.

Bizarro, né? Mas calma, ainda vai piorar o nível de bizarrice. 
É que ele ser torturado vai dando certo e ele vai recuperando a memória, sendo que em um capítulo ele conta o que acontece no cativeiro e o outro o que ele lembrou.
Ele vai descobrindo algumas coisas, entre elas uma mulher que o levou para uma seita de sexo tântrico - algo assim, confesso que nas partes que descrevia a seita eu só revirava os olhos, mas não por estar mal escrita, e sim por eu estar achando o cara um babaca - e desencadeou parte do que o levou para o final. 
Não posso contar exatamente o que acontece com ele (seria spoiler), porque a explicação vai te deixar boquiaberto e também um pouco: "Sério que foi preciso tudo isso só para isso?", pelo menos eu fiquei assim, meus amigos que leram acharam que foi super sensacional, então eu que devo ser a chata. 
Bem, agora vamos aos fatos do livro, comparado aos outros livros que eu li do Draccon, esse aí não chega nem aos pés de nenhum, é um livro médio, do tipo que você lê rápido, mas no final dele não é a mesma coisa que você sente em Fios de Prata ou em nenhum dos Dragões de Éter. 
Outra coisa que eu também achei que o livro ficou parecido com um conto do Neil Gaiman chamado "Os outros", tipo é diferente, mas a história parece que se baseia nesse conto - que é muito bom . 
Mas isso tudo não quer dizer que eu não gostei do livro ou que ele não é bom. O livro é ótimo e eu o adorei, e o Draccon não me decepcionou em nenhum momento da história, ele só não é tão foda quanto os outros livros dele, só isso. 
Então se você gosta de coisas surreais, tem pelo menos uns 14 anos (na real tem cenas +18, mas a gente sabe que ninguém respeita esse tipo de classificação indicativa. Mas se você tiver menos que 14 é possível que se traumatize com algumas coisas), curte Neil Gaiman e Stephen King, você provavelmente vai amar esse livro.