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Dia Do Abraço

                Katherine acordou com seu habitual mal humor. Fez o café enquanto terminava de escovar o cabelo e vestir o moletom – tudo quase ao mesmo tempo - em seu ritmo alucinante de ai-meu-Deus-vou-chegar-atrasada.
Untitled | via Tumblr                Engoliu o café para acordar de vez. Escovou os dentes. Amarrou o cabelo que só para não variar estava uma desgraça, já que por ter sido escovado as pressas resolvera armar – até ali nenhuma novidade, era apenas outro dia na vida entediante e pontual de Katherine.
                Saiu correndo do pequeno apartamento, precisava chegar ao ponto de ônibus em cinco minutos ou o perderia e então perderia a primeira aula na faculdade de direito. Obviamente daria tempo, sempre dava.
                Mas Katherine não esperava ver o que viu naquele dia. Havia uma multidão nas ruas, o trânsito parado, todo mundo com placas, cantando canções que não eram estranhas a ela. Porém em seu humor a fez pensar em algo como: “Ah sério? Manifestação? Que droga!”.
                -Ei garota, cadê sua placa? – alguém perguntou, era um rapaz, talvez um pouco mais velho do que ela. Katherine o reconheceu de algum lugar, provavelmente do ônibus ou da faculdade... Mas como ele obviamente não fazia parte do seu círculo de amigos, ela não sabia seu nome.
                -Que placa? Que droga está acontecendo aqui? – ela pediu erguendo uma sobrancelha e cruzando os braços. O rapaz lhe respondeu com um sorriso.
                -Uma campanha para mais amor no mundo. Hoje é o dia do abraço, já recebeu o seu? – ela descruzou os braços dando de ombros. O mundo provavelmente acordara maluco.
                Foi quando ele a abraçou.
                E naquele momento Katherine podia jurar que o mundo parou por um instante e voltou a girar em uma velocidade lenta. Todo o seu mau humor se fora e ela sorriu correspondendo o abraço.
                Então o mundo voltou a girar na sua velocidade acelerada e rápida de sempre.
                -Eu tenho uma placa sobrando, quer Katherine? – ele sussurrou em seu ouvido e ela deixou seu sorriso abrir-se mais.
                -Claro, por que não? – eles se separaram e ele lhe entregou uma placa escrita “Abraços Grátis” – Aliás, não me recordo o seu nome?
                -Carlos, da aula de francês – ele beijou a sua bochecha – Até quarta, Katherine  - e então se foi, deixando um sorriso de felicidade e o calor de um abraço.
               
 E aquele dia foi apenas um dia do abraço e um dia incrivelmente anormal na vida de rotinas de Katherine, que viria a abalar o seu mundo.

 Afinal de contas, no calor de um abraço cabe o mundo e naquele pequeno abraço dois mundos se encontraram para nunca mais se separar. 

Comentários

  1. Que imagens lindas que você usou no seu conto, adorei :)
    Feliz dia do abraço!
    Beijos
    http://www.gemeasescritoras.com

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