terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Je Suis Charlie, para que não calem o mundo.

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Je suis Charlie.
Eu sou Charlie.
Eu sou Charlie porque mesmo que eu não concorde com nenhuma charge do jornal Charlie Hebdo, eu como pessoa não posso apoiar que calem nenhuma forma de expressão. Mesmo que eu me sinta ofendida, horrorizada e ache as charges desse jornal um lixo, tenho como dever defender o direito deles de publicarem, escreverem e falarem o que quiser sem nenhuma represália, coação ou atentado terrorista.
Eu sou Charlie porque permitir que um atentado como esse passe em branco é dizer adeus a liberdade de acreditar no que você quiser, é se sujeitar e abaixar a cabeça a um extremismo hediondo de uma religião que põem em risco a minha liberdade.
Eu sou Charlie porque as 12 mortes ocorridas na França foram só o começo. Eu sou Charlie porque eu não quero que qualquer tipo de maluco ache que pode me coagir a abaixar a cabeça a não publicar o que quero ou o que acho que devo, porque se ele se sentir ofendido irá me matar, sendo que esse maluco não respeita o que eu acredito e ridiculariza isso o tempo todo.
Eu sou Charlie porque eu não posso deixar que me calem.
Eu sou Charlie, porque mesmo quando me ofendem isso não me dá o direito de matar.
Eu Sou Charlie porque a arte e a expressão são livres, mesmo que muitas vezes seja feita de uma forma grosseira, chula, que pegue nossos valores e fés e pisem em cima, eu devo parar e pensar se devo me ofender e fazer daquilo uma tempestade em como d’Água, ou ignorar e continuar com a minha fé e meus valores, porque a opinião alheia, a “ridicularização” alheia não importam se eu realmente acredito em alguma coisa, a opinião de ninguém importa, a piada de ninguém importa. Eu justificar ou achar que uma piada provoca um atentado terrorista além de ignorante, você está dando autorização a qualquer um entrar na sua casa, trabalho ou igreja e atirar em você porque não concorda contigo.
Todo mundo em algum momento ofende alguma crença religiosa, seja porque acha a sua superior, seja para fazer piada, seja porque não sabe muito e acabe falando besteira. Todo mundo em algum momento faz piada até mesmo com a própria crença, é hipocrisia sua dizer que só porque um jornal fez a mesma coisa, ele está errado e provocou aquelas mortes. Isso dá o direito de alguém atirar na sua cabeça também, não é?
Eu sou Charlie, porque dizer que Eu Não Sou Charlie, só porque não concordo com o Jornal, é não entender que o jornal só virou um símbolo para o basta a qualquer tipo de intolerância religiosa, atentados terroristas e falta de respeito com a liberdade de alguém expressar qualquer coisa, é estar assinando embaixo do contrato que vende sua liberdade.
Eu sou Charlie, porque dizer que eu não sou é me calar. E se você quer deixar que te calem, o problema é seu, mas eu não vou me calar.
Eu sou Charlie, porque eu não vou cometer os mesmos erros da história e deixar que calem os jornalistas, os chargistas, cartunistas, escritores, cantores, poetas ou qualquer outra pessoa que expresse o que quiser da maneira que quiser, desde que aquilo não cause risco a segurança de ninguém.
Eu sou Charlie, porque por mais que eu não concorde com nada que você acredite ou fale, vou lutar até o fim pelo teu direito de dizer e acreditar nisso, desde que isso não me impeça de viver a minha crença e a minha vida do jeito que eu achar melhor.
Eu sou Charlie porque nenhum governo, nenhuma religião ou nenhuma pessoa podem me dizer como viver minha vida, nem controlar o que escrevo, o que penso, o que faço.
Eu Sou Charlie, porque se eu não for estarei dizendo sim, não aos terroristas, mas ao meu direito de ter qualquer crença, qualquer opinião, de fazer qualquer piada retirados e jogados no lixo.
Eu Sou Charlie porque não vou deixar que me calem, terrorista ou não. Ninguém tem direito de proibir ninguém, de calar ninguém, de dizer qual é o jeito certo de desenhar, escrever ou fazer piadas.
Je suis charlie
A arma mais poderosa do mundo.
Eu Sou Charlie porque eu me importo. Não apenas com a morte dos franceses, mas com os milhares de mortos na Nigéria e no resto de todo mundo por pessoas que só sabem espalhar o terror e a destruição.
Eu Sou Charlie.
Je suis Charlie.


3 comentários:

  1. Gostei muito do texto, Bibiana, achei fantástico e muito sincero mas, eu particularmente não sou Charlie e me explico em uma frase que talvez não faça sentido agora ou até mesmo nunca o faça pra você, que diz o seguinte: a liberdade é limitada pelo amor. Obrigado pela ótima leitura!

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    1. Mas aí vai uma pergunta, se o que tu amas não é o mesmo que eu amo, quem de nós é verdadeiramente livre? Ou será que nós dois estamos presos a dogmas, crenças e paixões diferentes e que devem ser respeitadas indiferente das opiniões de cada um? Se a liberdade é limitada pelo amor, então devemos definir qual amor que a limita, porque o amor que cada um tem é diferente. Além do mais, dizendo isso apenas os que não amam seriam verdadeiramente livres?
      Somos verdadeiramente livres quando nos responsabilizamos pelo que fazemos, a revista Charlie Hebdo tinha a responsabilidade legal de pagar pelo que publicava, assim como se alguém publicar algo ofensivo diretamente a uma pessoa terá isso, mas nada, nada mesmo justifica eu matar outros porque aquilo "me ofendeu". Dizer que eles provocaram, é a mesma coisa que dizer que uma garota que foi estuprada estava provocando porque estava de saia (indiferente da "altura" da saia).
      E se a liberdade é limitada por qualquer coisa que seja, então nunca seremos livres e então não estaremos cumprido com o Livre Arbítrio, que é o que nos é garantido tanto por direito quanto por Deus (para quem acredita nele).
      Mas obrigada e entendo a sua posição de se dizer não ser Charlie.
      Apesar de que uma coisa sei que concorda, indiferente do lema que se usa, ou das frases que são ditas, ninguém tem direito de matar outra pessoa porque a ofendeu ou porque as religiões e crenças são diferentes.
      E é contra isso que devemos nos revoltar, para que não roubem a liberdade de crença de cada um de nós.
      Se quiser se revoltar com as charges, a vontade também, afinal ninguém é obrigado a gostar de um humor ofensivo como o deles.
      Mas todos devemos defender aquilo que pode nos atingir no futuro.

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    2. A liberdade limitada pelo amor, em seu contexto quer dizer que eu quero fazer algo, mas o que farei pode ou irá atingir uma pessoa ou grupo, daí repenso qual a minha real vontade em expressar o que digo e se soar ofensivo o que poderá provavelmente me ocorrer como represália. Esse incidente infelizmente acabou mal para os chargistas e a discussão tomou proporções enormes no cenário mundial pondo como base a liberdade de expressão sendo que não é esse o tema principal, se você observar bem verá que estou sendo analítico por que os chargistas fizeram as charges, publicaram, viraram polêmica e o infeliz incidente ocorreu. A sua liberdade de expressão pode ser assemelhada a alguém que esta diante de um rio e não sabe nadar, sabe que o rio é profundo e a correnteza forte mas sente uma imensa vontade de pular no rio, mesmo podendo se afogar, então arrisca e se lança ao rio, pode ser que nada aconteça, mas analisando as características que citei é mais consciente que não pule no rio. O que quero dizer é, a liberdade é limitada pelo amor. No contexto do incidente, os terroristas são islâmicos, já haviam atacado anteriormente o mesmo jornal três vezes( acho que foi essa quantidade de vezes) e poxa, eles tiram a própria vida acreditando nas promessas que ouvem desde crianças. Para eles aquilo não é errado e acham até que é uma prova de amor a Maomé( falo dos radicais). Então não compreendo os terroristas que fizeram isso e nem os chargistas por insistir nas charges que sabiam provocar assassinos e é isso, isso Bibiana, que deveria estar em foco e não a liberdade irresponsável de expressão. É muito assunto possível de ser escrito aqui, mas eu preferiria poder falar mesmo, assim poderíamos observar nossos próprios exageros...

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