sexta-feira, 4 de março de 2016

Leituras de Fevereiro com Bukowski, Dumas Filho, Tolstói, Cortella e Barros Filho...

Ética e Vergonha na Cara



Esse livro é dos autores Mário Sérgio Cortella e Clóvis Baros Filho. Ele é narrado como se fosse uma conversa entre ambos sobre as questões de ética no cenário Brasileiro e várias ideias e questionamentos sobre o tema.
Ambos os autores são filósofos, e particularmente, eu prefiro o jeito do Cortella, acho o Clóvis um pouco  exagerado, não tanto na escrita, mas em suas palestras e apresentações, já o Cortella é mais "vamos focar na filosofia" e não na "lição de moral". E na real, ele acaba, ao menos nesse livro, trazendo passagens que mais fazem refletir, sem agressividade ou ironia, mas honestidade e sempre apelando para filósofos como Sartre e Platão, que eu prefiro aos que o Clóvis acaba citando. 
O livro é uma reflexão sobre porque a ética tem a ver com a vergonha na cara, e porque no Brasil temos tanta dificuldades em sermos éticos. É uma crítica a sociedade e aos padrões socialmente impostos. Traz pontos como o sistema de ensino não nos ensinar, em focar no resultado e não no aprendizado e como isso faz com que os alunos sejam corruptos com eles mesmos e acabem colando, e também dá uma pincelada na ideia que ficamos tentando apontar dedos para os políticos, que apenas eles são corruptos, mas esquecemos que dar um "jeitinho" nas coisas também é corrupção. 
É um livro pequeno, a linguagem é fácil, traz muitas reflexões e eu gostei bastante do formato que ele foi escrito e das ideias nele contidas. 
Recomendo, até para aqueles que não curtem muito a linguagem dos filósofos padrão, mas querem estudar um pouco mais sobre ideias e reflexões sobre a ética. A linguagem do livro é acessível e acredito que todos podem compreender o que está sendo dito, formando assim, sua própria opinião sobre o assunto. 




Mulheres


Mulheres é um livro do Bukowski e do seu alter ego, Henry (Hank) Chinaski. 
O primeiro livro que eu li que tem esse personagem é o Cartas na Rua, porém, ao que parece, a primeira aparição dele é no livro Misto Quente, que ainda não li. 
Então, no livro Mulheres o personagem é um escritor, que não tem muito dinheiro, mas possuiu o suficiente para sobreviver, e vive não da venda de livros em si, mas principalmente de leituras de seus poemas e contos. 
Para quem não sabe leitura dos livros e conversa com autores é algo bem comum em países estrangeiros, aqui no Brasil que não tem muito disso, que é mais palestra e conversa, sem leitura do livro no meio. Aliás, sobre as leituras é bem legal, porque tem vários autores que leem super bem e fica muito divertido ouvir eles declamando ou contando seus contos, exemplos disso são o Stephen King e o Neil Gaiman (deem uma procurada no youtube, não vão se arrepender ;D). 
Voltando a resenha, então, temos esse personagem, que é o Chinaski, escritor, com alguns livros publicados, alguns fãs, que bebe pra caramba e tem um péssimo hábito de se relacionar com várias mulheres, ou com mulheres que não batem muito bem das ideias. 
Esse livro tem palavrão, muito sexo. E como é narrado do ponto de vista do Chinaski, tem alguns pontos em que é muito machista e que beira a ser nojento, mas ao mesmo tempo é engraçado e me peguei dando risadas de muitas coisas que na verdade não tinham graça. 
Entre Cartas na Rua e Mulheres, prefiro Cartas na Rua. Não sei se porque Mulheres realmente tem muita pornografia (cenas de sexo cruas mesmo, não espere nada a la 50 Shades of Gray), muita bebedeira e muitas mulheres, ou se porque Cartas na Rua tem muito da época que Chinaski trabalhou nos correios e eu me prendia muito a essas cenas, e já em Mulheres não tem mais isso, só as leituras e uma ou outra observação interessante sobre o processo de escrita do personagem. 
Em fim, é um livro engraçado. Mas não recomendo se você não tiver pelo menos uns 15/16 anos, porque é um livro pesado, e tem algumas coisas que podem traumatizar por serem meio nojentas e "WTF?". 
O livro é bobo, porque não traz grandes coisas, mas é divertido. 
Pode ficar um pouco chato por ser repetitivo e começar a focar em sexo ou bebida ou em corridas de cavalo? Sim, mas continua com um tom engraçado e ao mesmo tempo amargo que é uma característica do Bukowski, e provavelmente quem já leu algo dele já sabe.



O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio


Fui enganada por esse título. Para me justificar, eu comecei a ler os livros do Bukowski pela edição única que é a que tenho, sem maiores informações de quem era o escritor. Eu sabia que ele tinha frases interessantes, que tinha boca suja e que que era chamado de "Velho Safado", mas não sabia bem os temas que ele tratava ou qualquer outra coisa sobre seus livros. E esse, que é o último na ordem da minha edição, não fala que é um livro de memórias, e na minha cabeça era qualquer coisa menos isso. 
Quando comecei a ler que percebi que era um livro de memórias, e que não era um livro sobre bebidas e sexo, mas era algo mais profundo que isso. 
O livro são partes de um diário que o Bukowski fez nos últimos anos de sua vida, tem um tom melancólico, triste, mas ao mesmo tempo algumas coisas que ele escreve são tão bonitas que eu fiquei bem mais presa a esse livro do que Mulheres. 
Ele comenta bastante sobre o processo criativo, sobre seu computador e como gosta desta facilidade. Também temos explicações e cenas cotidianas no  Jóquei Clube, das corridas de cavalos e eventuais conversas e encontros que ele tem por lá. 
Aqui são os pensamentos e parte pequena da vida de Bukowski, que ele nos mostra. 
Suas reflexões são muito legais e eu me identifiquei com muitas delas. 
Então, apesar desse título que eu considerei um pouco bobo (talvez não tenha entendido muito bem), não se engane, esse é um livro mais profundo, melancólico e de memórias. Na verdade é mais de diário, que também pode ser memórias, mas deu para entender, certo?
Recomendo muito, mais do que Mulheres. 
Porém comece a ler Bukowski por outro livros, para você tentar entender mais ou menos o que ele pensa ou como ele é e depois leia esse livro que você vai perceber muito mais dele em sua escrita, sobre sua personalidade e sobre sua vida em si. 


A Arte de Escrever

Uma foto publicada por @rosesforbibi em

É um compilado de cinco textos que tem como foco a escrita e a linguagem, escritor por Arthur Schopenhauer, filósofo alemão que me irritou pra caramba durante a leitura desse livro. 
A garota que comprou esse livro há algum tempo atras (alguns anos, é verdade), olhou para o nome, olhou para o tema e pensou: Olha, um filosofo escrevendo sobre a arte de escrever, deve ser o máximo. E esse cara, ele inspirou o Nietzsche, não é mesmo? Ele deve ser o máximo. 
Meu Deus, como eu estava enganada. 
Não que ele seja ruim, não é isso, o jeito que ele escreve não é ruim, é até interessante. Só que o conteúdo que ele escreve parece um adolescente de 16 anos rejeitado pelos amiguinhos, escrevendo algo apenas para repudiá-los e reafirmar para si mesmo sua superioridade, que na real não existe porque são tudo farinha do mesmo saco. 
Schopenhauer, reclama da não profundidade e prolixidade de certos escritos de outros autores, sendo que ele é prolixo em muitos pontos, fala, fala, fala para dizer "eu sou o melhor de todos, só eu sei escrever, sou dono da verdade" e se contradiz em vários pontos. 
Ele crítica jeitos de escrever, que ele mesmo usa. 
Ele xinga tanto outros filósofos (ok, ele só fala mal, ou diz que são "enganadores") que você fica com mais vontade de ir ver quem eles são e confirmar por si só se ele está certo ou só falando coisas idiotas para se achar, que você desfoca no objetivo dele. 
Eu li rápido o livro, mas me irritei muito com o autor. 
As dicas de escrita não são tão legais. Tem alguns textos bons ali no meio dos enormes e que ocupam  a maior parte do livro de reclamação, e alguns pontos a serem considerados. 
O livro não é de todo ruim e descartável, mas Schopenhauer foi a prova viva de como filósofos e escritores costumam ser arrogantes e desprezar os outros por puro ego, porque enquanto acham que estão abafando, na verdade estão sendo iguais ou piores aqueles que estão criticando. 
Se você está procurando um livro bom que te ajude a ter vontade de escrever e de escrever, recomendo que você leia o Sobre a Escrita, do Stephen King, que é um livro de memórias maravilhoso e incrível e que ele dá dicas valiosíssimas sobre a escrita. E também um livro fininho de capa verde chamado Como Encontrar Seu Estilo de Escrever, do autor Francisco Castro, que é um livro que traz dicas e exercícios legais, não é maçante e foca mesmo na escrita e no estilo (tem outros sobre escrever parecidos com esses, acho que é uma coleção, mas eu só li esse então só posso recomendar esse, e super recomendo). Só não leia a Arte de Escrever, porque ele não é tão interessante, é mais sobre a escrita e o que o Schopenhauer acha que é e o que deve ser feito, do que dicas de escrita. 

Guerra e Paz.



Então, essas foram minhas leituras finalizadas em Fevereiro, quais foram as suas?
Deixem nos comentários links dos blogs, dos vídeos, vamos conversar ;) 
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