Pular para o conteúdo principal

"O mesmo sorriso..."

Uma música lenta tocava no ambiente daquela pequena padaria, que escondida espremida entre dois grandes prédios, pareciam padarias de filmes. A padaria tinha seu charme, em um estilo clássico e confortável, que atraia um público mais velho por ser um ambiente mais calmo e alheio a correria daquela cidade. 
Uma garota entrou com lágrimas nos olhos na padaria, precisava dar um tempo das coisas que aconteciam a sua volta, ela suspirou, sentando em uma mesa no canto, do lado de uma parede, onde estaria escondida, e poderia pensar em paz.
-A senhorita deseja alguma coisa? - um rapaz talvez da mesma idade que ela, ou um pouco mais velho perguntou, olhando para a garota, que suspirou e olhou para o cardápio a sua frente.
-O tipo de coisa que eu preciso não está nesse cardápio - ela sussurrou fazendo o jovem olhar para a bela garota a sua frente e suspirar. 
-Talvez não nesse cardápio, mas a resposta pode estar em você - o garoto comentou olhando para ela - Não sei o que está passando, mas saiba que é linda demais para chorar por alguém que não a merece.
-E como sabe por quem eu choro não é alguém que mereça as minhas lágrimas? - o rapaz havia visto a briga entre a garota e provavelmente o namorado dela, mas não comentou nada, apenas segurou a mão da garota, fazendo com que ela olhasse em seus olhos. 
-Porque se ele realmente te merecesse, essas lágrimas não estariam sendo derramadas nesse exato momento - a garota o olhou confusa, e mordeu o lábio inferior, ele retirou a mão de cima da dela, e deu um leve sorriso - Então, deseja alguma coisa?
-Um café preto por favor - a garota respondeu ainda confusa pelo gesto do garoto, mas com um leve sorriso nos lábios, o mesmo sorriso que a acompanhou quando subiu ao altar com um certo rapaz, que passou a ir na padaria apenas para vê-lo, o mesmo sorriso que a acompanhou quando teve seus filhos, e o mesmo sorriso que deu ao morrer, o mesmo sorriso que durante toda a sua vida nunca mais abandonou o seu rosto, pois aquele menino nunca a fizera chorar, e quando ela chorou, ele estava lá limpando suas lágrimas e colocando aquele mesmo sorriso novamente em seu rosto.

Por B. 

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Resenha: O poeta do exílio.

e Sinopse:  Pedro e Júlia estavam animados. Sua banda era finalista do festival estudantil Vozes de Classe. O regulamento exigia que as músicas se inspirassem em poetas brasileiros. Cada banda interpretou essa exigência à sua maneira. Precisavam agora animar a torcida. Os jovens criam cartazes, lançam torpedos, folhetos etc. E precisam também reunir informações sobre Gonçalves Dias, o autor do poema que deu origem à música classificada. Então, Pedro teve a ideia de criar um blog especial. Nasceu assim o BlogDoDias. Ali cabia tudo o que se relacionasse a Gonçalves Dias: poemas, cartas, artigos de jornal, documentos da época do poeta... Enfim, o blog agitou a galera e acabou se transformando em um completo dossiê sobre o poeta. No meio de todo esse agito, Pedro e Júlia parece que estão...Ah, os poemas de amor de Gonçalves Dias... Certo, hoje de manhã a linda da coordenadora do colégio apareceu com os livros que iremos ler esse trimestre, eu nem um pouco metida, já li o meu livro, p...

Andando sozinha descobri...

Andando sozinha na praia deserta, escutando o doce som das ondas, sentindo a água salgada batendo em meus pés descalços, sentindo o cheiro salgado e sentindo o sol sob meu corpo iluminando-me, percebi que a felicidade está nas menores coisas, que nem sempre quando o mundo desaba sobre sua cabeça, você fica infeliz, nem quando algumas pessoas que você daria sua própria vida viram-lhe as costas e você descobre as pessoas certas e que nem sempre onde você via o bem era onde havia e onde achava que era o mal era onde existia, que a paz era isso, pensar e estar feliz consigo mesma, pensar na vida, gastar cinco minutos do seu tempo para pensar e fazer o que gosta. Então acordei, a praia havia sumido e eu estava acordada, no meu quarto o sol entrava na janela e me iluminava e era como se dissesse para eu seguir, como na praia, fazer o certo e combater o errado, seguir a minha luz e o meu caminho, ver a vida em seu melhor e seguir para sempre em paz e tentar sempre ver uma saída para os...

Títulos são sempre a pior parte: uma breve introdução a devaneios importantes

Oi, tem alguém aí? Todo mundo sabe quem é o Osho, mas nem todo mundo parou para ler os livros (que, na verdade são transcrições de suas palestras). Eu era uma dessas pessoas que diria “Ah, Osho, legal”, mas não saberia exatamente dizer para alguém sobre o que o Osho tratava. Estou lendo a Jornada de Ser Humano, que é um desses livros dele, e, sinceramente, continuo não sabendo dizer sobre o que é, porque ele fala sobre tudo de uma maneira tão simples, que é quase um tapa na cara atrás do outro durante a leitura. Mas não vim falar sobre o livro, isso não é uma resenha. É só uma introdução. Uma introdução pra quê? Aos devaneios de hoje.