Pular para o conteúdo principal

A melodia do silêncio.

7041681443_5c618939f0_o_large
Uma fazenda está abandonada em algum lugar no meio desse nada pequeno mundo em que vivemos, o lugar está vazio, velho, apodrecendo, os animais dali já foram roubados, ou fugiram, assim como os donos foram embora dali, pelo mesmo motivo ou por outros alheios a vontade natural deles. Os antigos donos levado no silêncio da noite, jazem adormecidos sob a terra, onde duas cruzes feita as pressas por alguém que já não queria ficar mais tempo ali mostram onde descansam. 
Tudo parece estar silencioso, não há vento, não há som de animal algum, seja pássaros ou inseto, tudo parece vazio e meio morto, como se o lugar estivesse de luto. Luto pelo que? Pediriam os curiosos, e eu lhes responderia apenas que ele sente falta. Falta do que? Tornariam a repetir, eu apenas sorriria, não responderia é claro, mandaria os olhar novamente a paisagem. 
De repente um vento suave começa a soprar movimentando um sino antigo que está pendurado em uma das portas, o sino começa a soar levemente, é quando começa a se ouvir o primeiro passarinhos voltar a cantar, avivando todas as aves por perto que refazem toda uma melodia, quebrando o silêncio, e enchendo o lugar de lembrança e nostalgia de quem sabia que os antigos donos nunca deixavam aquele lugar em completo silêncio. É quando os pássaros param de cantar, que o sino para de bater, o vento não sopra mais e tudo volta a estar em silêncio. 
É quando uma pessoa chega, sabe-se lá vinda de onde, para e contempla o aparente silêncio, e fecha os olhos, como se pudesse no silêncio ouvir a melodia que acabara de ser reproduzida pelos pássaros. Alguns minutos depois alguém chega do seu lado. 
-Que terreno mais assustador e perturbador - o outro lhe fala com receio - É silencioso demais. 
-Não há silencio aqui, isso eu lhe garanto - e com um sorriso no rosto a pessoa continua a falar - Vou ficar com o terreno. 
-Mas porque? Isso aqui parece um cemitério!
-É só preciso alguém trazer novamente vida a esse lugar, é preciso quebrar o silêncio, trazendo a melodia da vida novamente, e você verá como escolhi bem - e deixando o outro ainda sem entender, vira as costas para o terreno e volta a andar para fechar negócio com o filho dos antigos donos. 
-Não sei o que esse louco viu neste lugar - resmunga o segundo que parte sem ver que o vento voltava a soprar, e sem ouvir a melodia do silêncio, a melodia que o outro abrira a alma e fora capaz de ouvir. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Resenha: O poeta do exílio.

e Sinopse:  Pedro e Júlia estavam animados. Sua banda era finalista do festival estudantil Vozes de Classe. O regulamento exigia que as músicas se inspirassem em poetas brasileiros. Cada banda interpretou essa exigência à sua maneira. Precisavam agora animar a torcida. Os jovens criam cartazes, lançam torpedos, folhetos etc. E precisam também reunir informações sobre Gonçalves Dias, o autor do poema que deu origem à música classificada. Então, Pedro teve a ideia de criar um blog especial. Nasceu assim o BlogDoDias. Ali cabia tudo o que se relacionasse a Gonçalves Dias: poemas, cartas, artigos de jornal, documentos da época do poeta... Enfim, o blog agitou a galera e acabou se transformando em um completo dossiê sobre o poeta. No meio de todo esse agito, Pedro e Júlia parece que estão...Ah, os poemas de amor de Gonçalves Dias... Certo, hoje de manhã a linda da coordenadora do colégio apareceu com os livros que iremos ler esse trimestre, eu nem um pouco metida, já li o meu livro, p...

Títulos são sempre a pior parte: uma breve introdução a devaneios importantes

Oi, tem alguém aí? Todo mundo sabe quem é o Osho, mas nem todo mundo parou para ler os livros (que, na verdade são transcrições de suas palestras). Eu era uma dessas pessoas que diria “Ah, Osho, legal”, mas não saberia exatamente dizer para alguém sobre o que o Osho tratava. Estou lendo a Jornada de Ser Humano, que é um desses livros dele, e, sinceramente, continuo não sabendo dizer sobre o que é, porque ele fala sobre tudo de uma maneira tão simples, que é quase um tapa na cara atrás do outro durante a leitura. Mas não vim falar sobre o livro, isso não é uma resenha. É só uma introdução. Uma introdução pra quê? Aos devaneios de hoje.

Resenha do livro: Battle Royale

                   Battle Royale é um livro pelo qual eu estive esperando a tradução por uns dois anos, porque foi mais ou menos há dois anos que eu acabei vendo em uma discussão em algum lugar na internet onde Jogos Vorazes estava sendo acusado de plágio, eu querendo averiguar se procedia eu fui atrás do mangá que fizeram de Battle Royale.                 E obviamente eu adorei. Só parei de ler porque fui atrás de spoiler e quando meu personagem preferido ia morrer eu fiquei brava e não quis ler mais. Porém quando entrei na livraria e vi aquela capa vermelha e divida escrito “Battle Royale” eu juro que eu dei um gritinho e comecei a pensar em como convenceria a minha mãe em como comprar o livro.                 Bem, eu consegui. E se eu tivesse tido tempo teria devorado o livr...